Chamados de ‘Nem, nem’, jovens sofrem de baixa autoestima, afirmam especialistas

“Os ‘millenials’ são conhecidos como a geração ‘Nem, nem’: que nem trabalha, nem estuda. Mas, a verdade é que boa parte desse desinteresse se deve a uma autoestima extremamente baixa.” A afirmação é da gerente de Empregabilidade da Kroton, Camilla Schahin, ao participar, hoje (4/12), do painel “Uma educação relevante para o Jovem”, durante o “1º Fórum Acreditamos nos Jovens”, realizado pelo McDonald’s no auditório do MUBE, em São Paulo. A ação buscar entender e apoiar os jovens de 16 a 27 anos que estão enfrentando dificuldades para entrar no mercado de trabalho.

Na opinião de Camilla, que atua na formação de 300 mil alunos por ano, a falta de interesse desses jovens está diretamente relacionada ao momento socioeconômico do Brasil e a falta de histórias de sucesso dessa geração. “Muitos alunos são chamados para entrevistas bacanas, para boas oportunidades, mas não demonstram interesse em participar do processo seletivo, normalmente por insegurança”, analisou.

Gabriela Taranhos, diretora da McKinsey, acredita que parte dessa insegurança e da barreira que precisa ser superada está no empregador, a outra ponta dessa relação comercial. “As grandes empresas ainda tendem a ver os jovens como um custo, como uma obrigação prevista em lei, e não como uma oportunidade para a empresa.”

Para ajudar a mudar essa relação, a McKinsey vai trazer para o Brasil, em 2018, um programa que já emprega com sucesso em outros cinco países e é responsável por empregar 15 mil jovens ao ano.

Na opinião dos especialistas participantes do painel, o conflito intergeracional é agravado por falhas de comunicação e “modelo mental de pensamento”. A nova geração ainda tem dificuldades de expressar suas opiniões e lidar com críticas. Enquanto os mais velhos, por outro lado, ainda não entendem que não basta dizer sim ou não para lidar com os jovens de hoje: é preciso despertar nos “millenials” o sentimento de “pertencimento”, para que se sintam parte integrante do processo decisório e, assim, podem a assumir uma postura mais responsável.

“A confiança é uma via de mão dupla e se não fizermos nada agora para ajustar essa relação, corremos o risco de perder uma geração inteira”, alerta Guilherme Oliveira, líder de Juventude do Coletivo Jovem, organização desenvolvida pelo Instituto Coca-Cola e que atua em favelas de todo o País preparando 40 mil jovens por ano para o mercado de trabalho.

Já Eduardo Lyra, fundador da ONG Gerando Falcões, que também atua com jovens nas periferias, argumenta que para motivar os jovens é preciso “viciá-los” em cultura e esportes. “Mostramos para os jovens que eles podem ser parte de alguma coisa boa.”


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