Esquema de desvio era do 3º escalão da prefeitura e pode ter sido “modelo”

O esquema para desvio de dinheiro público envolveu o terceiro escalão da prefeitura de Três Lagoas, três oficinas e pode ter sido replicado para outros setores da administração pública. As informações foram divulgadas durante coletiva de imprensa da operação Cambota, realizada nesta terça-feira (dia 12) pela PF (Polícia Federal). As oficinas investigadas concentravam 70% dos serviços, enquanto outras 25 executaram 30%.

A apuração é relativa aos anos de 2015 e 2016. O trabalho de investigação começou no ano passado, com cruzamentos de informações pela PF e CGU (Controladoria-Geral da União). Há possibilidade de o sistema ter sido replicado para outros serviços e aquisições. Contudo, a análise está condicionada ao prosseguimento da investigação.

Dos 13 mandados de condução coercitiva, cinco são funcionários no setor de manutenção de frota e os demais donos e funcionários das oficinas. A prefeitura tem uma sistema de software para gestão da frota e, quando surgia necessidade de conserto, as empresas cadastravam os preços. A gestão é feita por uma empresa de Dourados, onde equipe da PF foi em busca de dados, mas, a princípio, não há informações de irregularidades.

Conforme o MPE (Ministério Público Estadual), o esquema se configura como organização criminosa. O promotor Luciano Lara afirma que, inclusive, pode ser utilizado o recurso de colaboração premiada.

De acordo com o o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF (Polícia Federal), Cleo Mazzotti, é uma caminhada para processo de diminuição da corrupção. Neste ano, já foram seis operações em Mato Grosso do Sul.

Superfaturado – Em parceria com a CGU (Controladoria-Geral da União) de Campo Grande, a ação da PF tem 13 mandados de condução coercitiva e sete mandados de busca e apreensão, cumpridos em Três Lagoas e Dourados. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Criminal de Três Lagoas.

 

Equipe da PF busca documentos na prefeitura de Três Lagoas. (Foto: Ricardo Ojeda)Equipe da PF busca documentos na prefeitura de Três Lagoas. (Foto: Ricardo Ojeda)Clique na imagem para ampliar

A investigação aponta que, no período de 2015 a 2016, um grupo de servidores da prefeitura e empresários do ramos de oficinas teria direcionado e superfaturado contrato de manutenção da frota de veículos. Num dos casos, foi constatado superfaturamento na ordem de até 486% do valor das peças substituídas pelas oficinas mecânicas. Conforme a PF, o prejuízo chega a R$ 800 mil.

O prefeito Ângelo Guerreiro (PSDB) afirma que a operação Cambota, realizada nesta terça-feira (dia 12) pela PF (Polícia Federal), não tem relação com seu mandato e que a prefeitura está de portas abertas.

Movimento – Cambota é o nome popular do virabrequim, peça responsável pela movimentação do automóvel. Como a fraude consistia em direcionar e majorar serviços nos automóveis da frota, o nome faz alusão à atuação policial, no sentido de desarticular a organização criminosa impedindo sua movimentação.


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