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Postulante a uma vaga na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, a funcionária pública Gilsienny Arce Munhoz recebeu R$ 761.589,50 do PRB para fazer sua campanha em 2018, mas conquistou módicos 491 votos. Com este resultado – gasto médio de R$ 1.551 por voto, a candidatura de Gilsy, como é conhecida, é suspeita de que tenha sido apenas para cumprir a cota feminina e servir de “laranja”.

De acordo com a legislação eleitoral, as legendas são obrigadas a investir pelo menos 30% dos recursos dos fundos partidário e eleitoral em candidaturas femininas. Para driblar essa regra, algumas siglas acabam criando manobras para atingir a cota, com a criação de postulantes de fachada.

Os recursos recebidos por Gilsy foram repassados pela direção nacional do PRB, ao todo R$760.000,00, quase todo do fundo especial de financiamento de campanha. Ela teve como total de despesas R$759.996,60, sendo que R$361.638,88 com cabos eleitorais e pessoal; e mais R$213.170,00 com prestação de serviços, como locação de veículos, publicidade, e assessoria de marketing.

Gilsienny é servidora do governo estadual lotada na Secretaria de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho. De janeiro de 2017 a setembro de 2018, ela esteve cedida à Funtrab (Fundação do Trabalha), onde teve como chefe Wilton Melo Acosta, presidente regional do PRB e candidato a deputado federal no ano passado.

Acosta deixou o posto de diretor-presidente da Funtrab em abril, e viu parentes e aliados serem desligados da Fundação após seu partido apoiar a candidatura de Odilon de Oliveira (PDT) ao Governo do Estado.

Alguns destes aliados foram contratados na campanha de Gilsienny. Lucas Rael Alves Acosta, filho de Wilton, recebeu R$ 4,9 mil para trabalhar como cabo eleitoral; e Edson Bobadilha, ex-coordenador da Funtrab, fez a coordenação política da campanha por R$53.973,30.

Gilsienny Arce Munhoz tem como único bem declarado à Justiça Eleitoral um Renault Sandero 2013/14 avaliado em R$ 28 mil.

O Jornal Midiamax tentou contato com o presidente do partido, Wilton Acosta, mas o telefone dele está desligado. Em conversa com a coordenadora estadual do PRB Mulher, Raquel Correia, ela afirmou que a verba foi depositada diretamente na conta da candidata pela Executiva Nacional e que o seguimento da legenda não tem acesso a esse tipo de informação e que não se responsabiliza pela quantidade ínfima de votos. “Nós apenas orientamos a melhor forma de usar a verba e ajudamos as candidatas com relação à prestação de contas”.

Outros casos suspeitos

Levantamento do jornal Folha de S.Paulo aponta que 53 candidatos receberam mais de R$ 100 mil para financiar suas campanhas, mas saíram das urnas com menos de mil votos. Os candidatos pertencem a 14 diferentes partidos, mas com predomínio do Pros, PRB, PR, PSD e MDB.

Dos 53 candidatos, 49 eram mulheres – o que reforça a suspeita de que as postulantes a cargos eletivos sejam apenas laranjas.

Gilsy Arce aparece na segunda posição entre as candidatas com menos de 1.000 votos que mais receberam recursos.

Na lista de casos suspeitos da Folha de S.Paulo, aparece outra candidata sul-mato-grossense. Tatiane da Mateira (Pros), que recebeu R$ 150 mil da direção nacional do PT e teve apenas 96 votos na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa.

(Com colaboração de Daiany Albuquerque)


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