O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, entrou nesta terça-feira (22) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de verificação extraordinária do resultado do segundo turno das eleições.
Sem apresentar qualquer prova de fraude, o PL pediu a invalidação dos votos de mais de 250 mil urnas.

Mas todas as entidades fiscalizadoras atestam que a ausência desse número de série não significa que os resultados estejam comprometidos ou que não seja possível associar os boletins a cada urna, uma vez que esse número não é a única forma de identificação, nem o que confere autenticidade à urna.
Cada urna eletrônica, mesmo as dos modelos mais antigos, possui um certificado digital único. Esse certificado não se repete e é usado para assinar digitalmente os arquivos de cada urna. Isso permite a verificação individual dos equipamentos e do sistema que é rodado nas urnas.
No relatório, o PL não pede a invalidação das mesmas urnas que também foram usadas no primeiro turno, quando o próprio partido elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e quando foram eleitos os governadores de 14 estados e do Distrito Federal, além de senadores.
Todos os modelos de urnas utilizados nas eleições deste ano passaram por mais de dez etapas de testes, de verificação e inspeções. Essas análises foram realizadas interna e externamente, envolvendo especialistas das mais diversas áreas e entidades.
Após as eleições, entidades fiscalizadoras nacionais e observadores internacionais já atestaram a integridade e segurança das urnas e do sistema eleitoral.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Alexandre de Moraes, deu prazo de 24 horas para que o PL apresente os dados completos, inclusive do primeiro turno, já que ambos usaram as mesmas urnas. Se o partido não cumprir, a ação pode ser rejeitada pelo TSE.

Juntos, os partidos elegeram seis governadores. Quatro deles em primeiro turno: Gladson Cameli (Progressistas), no Acre; Cláudio Castro (PL), no Rio de Janeiro; Antonio Denarium (Progressistas), em Roraima; e Wanderlei Barbosa (Republicanos), em Tocantins.

Nas eleições Legislativas, o PL foi o partido com o melhor desempenho. Elegeu 99 deputados e 8 senadores. Ao todo, a coligação de Jair Bolsonaro emplacou 187 cadeiras na Câmara e 13 no Senado.

Parlamentares eleitos na Câmara dos Deputados
PL – 99
Progressistas – 47
Republicanos – 41
Parlamentares eleitos no Senado
PL – 8
Progressistas – 3
Republicanos – 2
Nos estados, onde as coligações não necessariamente são as mesmas do âmbito nacional, o PL elegeu 129 deputados estaduais. Veja lista abaixo:

Acre – 2
Amapá – 2
Amazonas – 3
Alagoas – 1
Bahia – 4
Ceará – 4
DF – 4
Espírito Santo – 5
Goiás – 3
Maranhão – 5
Mato Grosso – 2
Mato Grosso do Sul – 3
Minas gerais – 9
Paraná – 5
Paraíba – 3
Pará – 3
Pernambuco – 5
Piauí – 0
Rio de Janeiro – 17
Rio Grande do Norte – 4
Rio Grande do Sul – 5
Rondônia – 2
Roraima – 1
Santa Catarina – 11
Sergipe – 3
São Paulo – 19
Tocantins – 4
Entenda
O presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, entraram com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a anulação de votos feitos em modelos de urnas anteriores a 2020.

O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, se manifestou rapidamente e deu 24 horas para que o pedido do PL abranja os dois turnos das eleições.

Na decisão, Moraes argumentou que “as urnas eletrônicas apontadas na petição inicial foram utilizadas tanto no primeiro turno quanto no segundo turno”.

O PL pediu a anulação dos votos nos modelos de urnas UE2009, UE2010, UE2011, UE2013 e UE2015. A alegação é de que houve “desconformidades irreparáveis de mau funcionamento” nesses modelos.

Assinada pelo advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa, a representação cita o laudo técnico de auditoria feito pelo Instituto Voto Legal (IVL), contratado pelo PL, que teria constatado, segundo eles, “evidências contundentes de mau funcionamento de urnas eletrônicas”.

“Apenas as urnas eletrônicas modelo UE2020 é que geraram arquivos LOG com o número correto do respectivo código de identificação”, afirma a representação. Este modelo mais recente tem 224.999 urnas, o que representa 40,82% do total de urnas usadas nas eleições.