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Artigo - Não temos as mesmas 24 horas
Costuma-se dizer que todos temos as mesmas 24 horas por dia, como se o tempo, por si só, fosse o grande equalizador das oportunidades. No entanto, essa afirmação ignora desigualdades históricas, sociais e econômicas que determinam quem pode transformar tempo em progresso e quem apenas o consome tentando sobreviver.
Ao longo da história, toda conquista relacionada às leis do trabalho enfrentou resistência. Sempre que direitos são ampliados — seja a redução da jornada, férias remuneradas ou melhores condições de trabalho — surge um discurso alarmista que aponta supostos prejuízos à economia. Mas o que leva parte da sociedade a se opor à melhoria das condições daqueles que, por anos, sustentam empresas e negócios com seu esforço?
A resposta passa pelo medo. Quem controla a relação de trabalho teme perder lucro, poder e influência. Melhorias nas condições laborais reduzem a dependência baseada no medo e na submissão, enfraquecendo relações desiguais que, por muito tempo, foram naturalizadas. Quando o trabalhador passa a ter mais direitos, autonomia e qualidade de vida, diminui também o controle excessivo de quem emprega.
É um equívoco acreditar que valorizar o trabalhador prejudica a economia. Pelo contrário: são os trabalhadores que impulsionam a produção, a inovação e o avanço tecnológico. O empregador é peça fundamental nesse processo, mas o progresso só se sustenta quando há dignidade para quem produz. Sem qualidade de vida, não há estímulo; sem estímulo, não há qualidade. Produzir muito, sem produzir bem, não constrói desenvolvimento — apenas exaustão.
Se o Brasil deseja ser um país menos desigual, precisa rever a forma como encara suas relações trabalhistas. O desenvolvimento econômico não pode existir dissociado do desenvolvimento humano. Enquanto os direitos do empregador são amplamente protegidos, muitos trabalhadores deixam de reivindicar garantias básicas por medo de represálias, demissões ou estigmatização. Uma sociedade justa só se consolida quando os direitos são respeitados para todos, e não apenas para quem detém o capital.
Por fim, é necessário reconhecer que nem todos partem do mesmo ponto. Alguns herdam patrimônio, redes de apoio e acesso à educação de qualidade. Outros constroem suas trajetórias com esforço contínuo, enfrentando limitações impostas por um sistema econômico e educacional que, muitas vezes, afunila oportunidades. Milhões são preparados para obedecer e servir, enquanto poucos acumulam riqueza gerada pelo trabalho coletivo, devolvendo apenas uma fração desse valor na forma de salário.
Dizer que todos têm as mesmas 24 horas é ignorar essa realidade. O tempo pode até ser igual no relógio, mas as condições para transformá-lo em dignidade, prosperidade e futuro definitivamente não são.
Kenis Junior
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