Política
Depois de Valdemar Costa Neto, Dino ordenou o bloqueio de maís de seis milhões de Eduardo Cunha devido emendas parlamentares
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino ordenou o bloqueio de até R$ 6,1 milhões de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, por um suposto direcionamento de emendas parlamentares mesmo sem mandato em vigor.
A decisão, datada de 6 de julho, tem como pano de fundo a Operação Transparência, de dezembro de 2025, que apreendeu um aparelho celular de Mariângela Fialek, servidora da Câmara.
Os investigadores identificaram, conforme o despacho, “a existência de um arranjo decisório paralelo para a destinação de verbas públicas, no qual EDUARDO COSENTINO DA CUNHA, desprovido de mandato, aparece como vetor relevante de definição e remanejamento de emendas”.
“Das pesquisas realizadas, foram identificadas pelo menos 21 emendas parlamentares, num total de R$ 6,15 milhões, que foram empenhadas e pagas e que, nesse cenário, foram forjadamente documentadas para escamotear o verdadeiro solicitante da indicação”, afirma Dino em sua decisão.
Ex-presidente da Câmara dos Deputados, o político ganhou fama por aceitar a abertura de impeachment da então presidente Dilma Rousseff em dezembro de 2015. A deposição de Dilma foi aprovada em abril de 2016 na Câmara por 367 votos.
Cunha já confirmou sua pré-candidatura a deputado federal por Minas Gerais em 2026.
Ainda de acordo com Dino, “o ex-deputado revela contar com uma cota informal de valores, que era direcionada conforme as diretrizes e interesses políticos no Estado de Minas”.
O ministro do Supremo destaca o “descontrole político e desvinculação ao interesse público” porque Cunha não tem vínculo político com Minas Gerais. Inclusive, segundo Dino, Cunha mantém “pouco apreço pelo Estado e pelos prefeitos com quem mantinha interlocução”. Um dos trechos da decisão ilustra.
Boa tarde, desculpa mas eu não aguento mais esses mineiros enrolados. Troca a de Governador Valadares por essa, pois lá também criaram caso pedindo ofício etc. É mais fácil trocar”, disse Cunha em uma das conversas com a servidora da Câmara.
A decisão de Dino contra Eduardo Cunha se assemelha a outra, imposta a Valdemar Costa Neto na última sexta-feira (10), quando determinou o bloqueio de até R$ 119 milhões em bens do presidente do PL por um suposto esquema paralelo de desvio de verbas públicas entre 2024 e 2026.
O R7 tenta localizar a defesa de Eduardo Cunha e de Mariângela Fialek para comentar a decisão judicial. O espaço está aberto para manifestação.





